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[FS 6] Maquiavel, Asami - O Concílio de Olhos Distintos II

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Um

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Staff
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Nome: O Concílio de Olhos Distintos - Parte Dois
Local: Kiri - Passado, cerca de seis anos atrás
Detalhes: Mostrar um pouco mais dos caminhos separados de Asami e Maquiavel enquanto, de maneira sútil, a semente de sua futura união começa a se banhar ao sol.

Ilusionista

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Narradores
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O Concílio de Olhos Distintos: Convite

Musashi POV

Olho para a criança, para uma carne que não deve ter uma década de idade. Um pouco de pena escapa de meu olhar, um rastro de um homem que foi devorado pelas chamas da sua existência. Abandonei o código, abandonei meu norte, por algo que está a sete palmos de mim agora. Enterrado junto aos vermes, junto a lembrança de um samurai que não vive mais nesses olhos. A realidade é a rainha da crueza, segue suas próprias regras.
Eu? Apenas persigo os passos de vermelho diante de mim, ouvindo seus lábios lutarem por mais um mísero segundo aqui. Cuspindo, fazendo-o seu pulmão dar seu último par de centavos antes do abraço inevitável. Antes que a morte venha cobrar o que é seu por direito. Não posso negar, essa peste é teimosa. Ombros em carne viva, braços rasgados por uma lâmina nervosa e, mesmo assim, teima em não dar o braço a torcer. Em minha terra banhado por nele, temos um nome para isso - para essa insanidade. Honra.
Se me perguntar, claro, direi que é a estupidez aceita pela sociedade. Não muito diferente do amor, de fato, são perigosamente próximos. Pensamentos, eles andam em minha mente e garante que essa alma não escape de meu corpo velho. Por trás das vestes, por trás de todo glamour, havia uma carne mastigada por cicatrizes. Cada uma tinha um pecado para chamar de seu. Eram dezenas, talvez centenas, que queimavam eternamente em pele.
Meus passos eram calmos, calados como se acostumaram a ser. Alguns diriam que sou metódico, incapaz de lidar com a natureza real das coisas. O caos eterno. Porém, sinto em dizer, esse não é um pecado que mancha meu nome. Um dos poucos que possuem essa honra. Em meu coração, na entranha mais íntima de meu peito estufado, uma tormenta está para nascer. Colocar meu quarto, de alinhamento invejável, de cabeça para baixo.
- Todos somos cachorros perdidos na estrada... A diferença é que não uso coleira mais.
Uma frase simples, um conjunto de palavras que corria para longe de meus lábios. Não havia maldade em sua existência, apenas uma fatia do gosto da vida que acabei por roubar. Meu braço branda ao alto, se pondo contra o destino desses ventos montanheses. Sou um animal, isso está longe de minha tolice negar. Entretanto, distinto de tantos outros, não preciso de mentiras para me embriagar e me fazer feliz pelo tempo de um mero toque.
Altivo, fiz o que não fazia em anos. Observei a presa um pouco mais, assistia-a se rastejando para além de meus dedos sujos de sangue. Determinado, cega para aquilo que descansa por baixo de seu nariz. Tem razão, ele tem muito da Mai, muito mesmo. Mas, essa cabeça dura, era você quando veio para minhas terras. Saquear nossos segredos. Por um momento, um instante não registrado nessa névoa, o saudosismo me fez sorrir. Toquei a vida mesmo que, este corpo, já lhe tenha abandonado.
- Meu nome é Musashi, você merece conhecer o nome daquele que tirou desse mundo: mas, saiba que, para um garotinho, você jogou bem.
Digo isso, jogo as palavras aos quatro ventos porém, não pense que sou vazio como meu olhar faz parecer. Meu braço, minha “foice”, pode está visitando as nuvens e, ainda sim, minha mente é incapaz de voar. Um instante, um segundo que jamais vou admitir, a dúvida passeou por minha carne. Conheceu cada estrada, assombrou cada canto, antes de um corte queimar sua língua.
- Maldição… - A lâmina quebrada acerta seu alvo e, logo em seguida, um tronco toma seu lugar nessa peça. Aquilo mexe com meus nervos mas não como imagina e, certamente, não como deveria. Um riso tomou controle de minha boca, deixou minha alma ser leve, ao menos, uma vez mais. Era como os velhos tempos, como apenas uma memória pode descrever. - Não era muito diferente de você, antes de nossos cabelos grisalhos, teria feito a mesma coisa… Cara, como odeio os truques de sua laia.
De repente, de um papel fixado no tronco, uma explosão se fez.

...

O barulho dela é irritante, a explosão que bate contra o meu peito. Ser enganado por uma criança, porém, não está na lista das piores coisas que já me aconteceu. No flor de nossa vida, meu amigo, isso faria minha face se contorcer em raiva. Em um mesquinho e infante orgulho que não mais me assombra. Agora, com a sabedoria dos cabelos brancos, apenas dou a voz da risada ao infortúnio. Era algo leve, fútil, como pouco de meus dias tinham o vislumbre de ser.  
A fumaça cuidava de se misturar na névoa densa que aqui existia, não perdeu-se mais de um par de segundos antes que elas se vissem como irmãs. Por um momento guardo a mim ao solo, a terra que cedeu-me seu espaço para que eu possa passear por aquilo que era sua propriedade. Sabia, desde cedo, que estava pisando em um terreno afogado em seu próprio vermelho. O sangue inocente o construiu, fez o castelo daquele que se tornou escasso de espírito. Mas, quem sou eu para julgar? Frequentamos os meus bares e sarjeta.
Toco meu corpo, passo meus dedos por meu peito. Ainda lembro de quando era feito de algo verdadeiro, de carne e osso. Depois de anos, de tantos contratos pagos, nem isso me restou. Toco o centro de mim, sinto meu coração bater e existir mas, ele não é como pensa. Não é como o seu. Ele desenhado pelas melhores mãos que o dinheiro pode conceber, feito por metais que - para muitos - apenas tem lugar em ficção científica barata.
- Sério, criança, estou curioso… Foi seu pai que lhe ensinou isso? Sempre absorto em driblar a morte e enganar as suas foices, nem imagino que cria veio dele.
Maldade era algo que, mais uma vez, passava longe de minhas palavras. Pena seria o termo mais bem colocado em meus lábios. Não sou uma maçã que caiu muito longe de sua árvore, afinal nunca tive um filho para chamar de meu. Pouco sou bom em lidar com essas pestes ou, ao menos, isso é verdade enquanto permanecessem vivos. Por experiência pessoal, sei que cadáveres são mais agradáveis de se carregar. Faz bem aos ouvidos, sem reclamações no caminho.
Levanto ausente de arranhões no que me restou de minha pele verdadeira, pequenas cicatrizes de uma existência sufocada em um rio de violência. Observo minha lâmina quebrada, feita em duas por uma criança como qualquer outra. Um trato como qualquer outro ou, ao menos, assim devia ser. Melhor, assim eu mentia para os únicos ouvidos que ainda se importam com isso. Os meus.
Pode não parecer e até posso esquecer mas, uma vez, essa lâmina servia a justiça. Era uma promessa de honra, de não abaixar sua cabeça para ninguém. Algo aconteceu, corrompeu minhas raízes até sua lembrança se tornar um borrão passageiro. Olhar a espada em duas, como há muito não se encontrava, atiçou aquilo que dormia em mim. Nossos embates na juventude, veias distintas pulsando por um mesmo coração. Uma mesma alma, uma garota de muitas faces.
- Maquiavel, não é? Você merece uma luta justa, um fim honrado pelo fio da espada. Creio que seu pai lhe trocou uma ou duas palavras sobre isso… O código samurai.  
Parece os dias que fogem de mim, os dias de um passado que já se encontra debaixo dessa terra. Uma história morta. Ainda sim, sufoquei o punho de minha lâmina com um misto ideal de força e leveza. Uma amostra do equilíbrio, da filosofia, que deixei para trás. Samurai mais uma vez, assumo a postura de um guerreiro que a honra abraçou. Perto de meu rosto descansa minha espada, paciente para o anúncio da realidade. A violência inevitável.
Suspiro mas, devo admitir, é o suspiro mais divertido que ganha vida em anos. Um sorriso aranha meus lábios, feliz pela adrenalina que passa por minhas veias. Ou, ao menos, pelas poucas que ainda me restam. A névoa era densa, a maquiagem perfeita para esse mundo traiçoeiro. Sujo como os botecos que conheciam no face bêbada de audácia e embriagada nas raízes de suas próprias ambições. Sonhos que jamais veriam o além do esgoto.
O vento me soca, toca o metal que vive em meu peito. O som ecoava, assustava os poucos pássaros que se aventuram até aqui. Metal vagabundo, suas engrenagens sem olho gritam mais do que um homem alçado pela loucura. Amor, cobiça, todo caminho leva para o mesmo destino. A morte. Sozinho com aquilo que me tornei, assustado pela tormenta que cativei, mal ouvi quando o coveiro bateu em minha porta. Anunciou, como tolo, sua pegada.
- Pela minha casa, pelo orgulho Jaavas... Técnica de Atração e Repulsão.
Era como ser um peão em seu tabuleiro mais uma vez, me mexo sem poder tocar as cordas dessa marionete que tomou meu nome. Houve um piscar de olhos, um segundo perdido no escuro, foi o suficiente para me lançar ao vento. Deixar meus pés órfãos de seu chão, à mercê das leis da natureza. Sob as amarras, o cortar de asas, que é essa que chamam de gravidade. Uma força, além de meu mero olhar, castiga minha carne com uma pressão sem igual.
Se eu ainda tivesse um osso, um lembrete de minha tênue origem, lhe escutaria tocar a sinfonia da dor nesses instantes que teimam em ficar. Nervos, como vocês conhecem, pouco me importava. Ou, melhor dizendo, pouco restava. Cirurgias e incontáveis marcas frias tirou esse fardo de meus ombros quebrados. Separou-me do resto dos homens, me deixou livre do sofrer perpétuo. Sobrou ter asas abertas, sem nenhuma gaiola para marcar.
Costas batem ao solo, minhas engrenagens velhas regem e, mesmo sem palavras, rezam. Precisam de um óleo melhor, um que não seja tão barato quanto minha própria alma. Uma risada nasce de meus lábios, um pequeno pedaço de mim onde a carne ainda não está obsoleta, ela era um misto de alegria e pressa. O equilíbrio perfeito, bem lapidado, como a espada que escapou de meus dedos. Em que ponto estamos? Parece que nem a sombra minha deseja morar ao meu lado.
- Esse ato, esse ataque… Eu o conheço, já senti seu sabor antes. - Curioso, me ponho em pé novamente. Não havia sangue para rolar de mim, não há em muito tempo. Porém, não significava que esse “pequeno jogo” me deixaria ir sem mais nem menos. O metal de meu peito se encontrava deformado, como se um imenso peso tivesse sido jogado em seus ombros. Fascinado, passei a observar o feito. O show que esse mundo de horrores montou. - Acho que eu bateria palmas para você criança mas, se for como teu velho, me mandaria ao inferno por tal heresia.  

Em Construção

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