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[FS 5] Maquiavel - O Renascer dos Olhos Vermelhos I

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Um

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Nome: O Renascer dos Olhos Vermelhos (Parte Um)
Local: Kiri - 8 anos no passado, aproximadamente
Detalhes: Trabalhar o surgimento do Akagan em Maquiavel, bem como mais uma faceta de sua infância.

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O Renascer dos Olhos Vermelhos (Parte Um)


Poderia imaginar crianças brincando, passeando por essa chuva por uma infante rebeldia: pela força do momento que, eles mesmos, moviam. Os risos submersos nesses pingos, nesse céu que se fecha sempre aos domingos. Contemplava as nuvens, calmas como se o futuro as nada reservasse: carentes de qualquer pequena e ilícita ansiedade.
Era uma cena que pouco eu via, mesmo em minha terna idade. Meu pai me furtou essa experiência como um leão querendo proteger sua cria de um sonho impossível. Não cabia a mim perder tempo com isso isso, com os sonhos de uma infância que já não pertencia… Pensando bem, só um tolo diria ela foi, ainda que por breves instantes, minha.
Não, não desde que minha mãe deixou de ser minha… Não desde que ela deixou esse mundo. No segundo em que seus olhos perderam o brilho, eu me tornava cego para qualquer fantasia, eu me tornava cego para tudo que não fosse as ordens de meu pai: uma voz constante, que não admitia vacilos. Em um tom sereno ela sempre se encontrava, em notas baixas e firmes que eu, carente de sucesso, me espelhava.
Estava chovendo, meu rosto brilhava entre suor e lágrimas desse céu negro. Ainda sim, eu não corria para casa, eu não ia para baixo de uma asa. Continuava a andar, caminhar sobre essa montanha que desejava, assim como eu, se provar. Diante da água, perante a tempestade, a montanha não se ajoelhava.
A carne podia suplicar e os ossos, aos poucos, hesitar. Entretanto, sob uma respiração pesada, meus passos largos continuavam. Meus pés colocados a pedra, uma energia fina os mantinham ligados: quentes perante o solo que me acomodava, confortável perante a realidade que me era designada. O frio, naquele momento, se acanhava e, entre um pé e outro, algo mais era ouvido.
Era o som de um trovão, ficando com raiva de nossa teimosia. Os braços tremiam, uma coberta era seu anseio mais profundo. A cada minuto que se fazia nesse mundo, um estalo dos céus eu ouvia. Dizendo que eu devia ter dado a volta, correr em direção a um passado, a um sonho, que não me pertencia mais.
Palavras fugiam de meus lábios, um eco de vida que me pouco importava. Eu estava quase no topo, estava quase nos seus braços. A energia era balanceada, em cada pequeno suspiro ela se afirmava. Os meus pés estavam suados, ansiosos por virar essa página. Podia sentir a energia pulsando, a aura azulada preencher meus dedos. Saltava e, por um segundo perdido, meus olhos se fechavam.
...
Um som, uma voz, me interrompe. Ela não via da natureza, dos trovões que, outrora, me cercavam. Era uma criação do homem. Uma que eu bem conhecia, uma que me abalava desde que eu tinha tênues dias de existência nesse mundo. Sem ele eu não estaria vivo, com ele, porém, eu nunca pisaria realmente na terra dos vivos. O pior é que eu, ainda que infante, era acordado para esse fato.
Controlar o Chakra, o manipular… É isso que nos separa de meros animais. Seja nos pés, tal como fez, seja para correr dentro de seu coração… Sempre o que fizera, ainda que em um silêncio denso, é prova de sua superioridade nesse mundo.    
Suas palavras inauguraram minha chegada ao topo da montanha. Meus olhos se abriam, ardidos pela realidade que se percebia.  Esse salto final era o que precisava para, aos céus, alçar voo. Podia ver sua barba por fazer, sentir o gosto de alho saindo de seus lábios encharcados. Pai, você está diante de minha figura insignificante… Sua figura insignificante.
As vestes que domavam o meu corpo eram brancas, claras como o céu aberto que, hoje, se recusava a ir me visitar. Quase tão pálidos quanto os dedos que seguravam-se neste chão. Estava descalço, podia sentir a terra batendo em minha carne. O sangue, de maneira tímida, descia de meus pés pelados. As pedras, sem nenhuma piedade, os castigaram.
- Estou fazendo, em exatos, dois minutos; pai. - Digo, ainda que os trovões roubem boa parte do espaço de minha voz.      
Dois minutos é uma vergonha para o nome que carrega… - Anunciava, de maneira severa, em seu tom - irritantemente - frio. Antes que eu perceba, porém, sua mão estava dormindo em meu ombro - Mas, é melhor que sua marca anterior… 15 segundos melhor. Merece um jantar… Se não sujar a casa com tuas vestes, obviamente.  

...
Era noite, o fim dela própria. Diante da janela posso ouvir a chuva se acalmando, dormindo aos poucos. Meus pés estavam pelados, vendados com pedaços de tecidos já submersos em vermelho. O sangue corria, o lembrete do treino que tive mais cedo. Pequenos cortes doiam, lutavam para, em vão, me arrancar suspiros.
Meus lábios, disciplinados para um único homem obedecer, recusava-se a fazer uma palavra sequer, O silêncio me era provado, era como minha pequena marca neste grande castelo que chamo de casa. Meus passos, ainda que ardentes em seu caminho, eram feitos sem uma gota de cerimônia.
Vestido de branco eu estava, com meu traje branco de sempre. Ver-me era como ver um infante clérigo acompanhado de uma lâmina cuidada com esmero. Fazia a jornada para meu quarto, a cama me era um desejo não negado. Quando durmo é o único momento que me é permitido imaginar… Imaginar-me fora dessa carne, acompanhado de uma felicidade que jamais fora minha amiga nesta vida.
- Você é magro… Magro demais. Espero que eu esteja na casa certa.
Ouvia uma voz, uma sonolenta voz, que visitava minhas costas cansadas. Com o canto de meu olho, pude ver seu grande semblante. Era um homem esguio, escondido em um traje negro arcaico. Seu rosto era emocional, sua expressão não se dava o trabalho de esconder seus desejos e ambições sombrias… Sombrias e cruéis.
Por instinto, saquei minha espada em um segundo logo cortado. Estava perante o estranho, o invasor de cabelos loiros e olhos verdes. Parecia um modelo, um boneco feito com esmero demais… Cada linha de sua face era perfeita em demasia, nem humano ele parecia.
Palavras não tinham espaços no instante que se seguia: minha espada dançava perante o ar frio, Cortes de Chakra caminhavam, com tudo, para meu inimigo. O vento, antes calado, falava contra ele. Em um piscar e outro, em pedaços estaria; seu sangue em meu chão passearia… Ou assim eu esperava, ou assim um homem se comportaria.
O Corte de Chakra, porém, desaparecia no ar que eu mesmo respirava: foram absorvidos por esses olhos verdes, olhos que parecem ser feitos de vidro. Uma indagação na minha mente nascia e, ainda assim, em palavras eles não se transformariam. Antes que um som meus lábios pudessem emitir, minha técnica era lançada contra mim.    
...
Sentia minha carne arder e o sangue, carente de controle, arder. Minha pele se fazia entre os cortes que fugiam ao olho nu. Estava ao chão, com minha face com lágrimas em suas pontas, dizendo que eu estava vivo e a dor, que nesse momento sentia, era a melhor prova disso. Latente como o inferno, me fazia ficar acordado enquanto o resto da cena assistia.
Os braços e pernas, em uma situação semelhante, se encontravam cortados pelo vento violento. Em seus lábios, os lábios do invasor, um pequeno mas evidente sorriso nascia sem medo. Quase podia ouvir um riso fraco escapando de sua boca, quase uma satisfação por eu não ser uma simples barata morta.
Minha espada ainda estava enrolada em meus dedos, firme como gelo. A minha carne estava a mostra, ostentado em um museu para quem quiser a observar enquanto lutava pela sua vida: pelo sangue que ainda era bombardeado em suas veias. Minha respiração era pesada, carregava o peso de meu mundo enquanto, em um movimento fugaz, lançava uma Kunai contra aquele que, subitamente, ameaça minha existência.
- Para uma criança, você não está ruim… Não está mesmo.
Aquele era um elogio passageiro, um elogio de lábios estrangeiros. Nada me trazia, uma brincadeira efêmera me trazia. Seus passos estavam calmos, de uma maneira quase rítmica. Naquele instante, naquele instante que a Kunai ameaçava sua carne da forma mais íntima possível, uma explosão se fazia. Um selo explosivo na ponta do projétil carregava a totalidade de sua culpa.
Olhos ardiam, os meus. Uma fumaça, em meio ao estrondo, nascia. Uma cortina de fumaça era invocada como seu efeito mais imediato. Para aquele que caminhava em meio uma serena calma, isso não era mais que um mero inconveniente para essa noite que se desenhava. Eu queria apenas dormir, descansar e talvez, apenas talvez, se eu me rendesse agora, conseguiria isso como uma recompensa duradoura.
Não, me recuso. Não por amor próprio, não. O que movia meus ossos dormentes era algo mais superficial, algo mais artificial… Algo que, nem ao menos, era meu. A necessidade de completar os planos de meu pai.   Aquilo era o que fazia meu sangue ferver e a dor de meus ferimentos, por um instante, desaparecer.
O homem socava a parede e seu punho fechado, seu punho repleto de filosofia zen, fazia uma modesta cratera na parede. Podia jurar que podia ouvir toda a parede estremecer quando vi isso acontecer. Meu corpo estava esmagado contra a superfície, uma mancha de sangue gigante pintava, de vermelho ardente, esse corredor.
Simples e, ainda sim, eficaz. Com a cortina de fumaça causada pela explosão fez um clone intangível para escapar de meus sentidos… Só seria mais astuto se tivesse aproveitado para correr para os braços de sua mãe.
Meu corpo, o corpo que estava encostado na parede, era um clone simplório que fora atravessado pelo poderoso golpe e, segundos depois, era desfeito perante seus olhos. Porém, não havia frustração em sua face… Nem um pingo sequer. Apenas um acanhado sorriso, um sorriso de canto de boca, que teimava em permanecer em seus lábios.
Um instante era mais que o suficiente.
O verdadeiro eu, entretanto, não demorou para seu filtrado por seus olhos verdes de boneca. Tão artificiais quanto às motivações que me faziam continuar lutando. Ele se virou e me viu, selos rapidamente eram feitos pelo meu par de mãos. Uma ansiedade nutria o seio desse ato, a ansiedade que governa o abismo entre o reino dos vivos e dois mortos.
Eu desaparecia de maneira repentina e do solo, molhado com o sangue de seu dano, azulejos eram quebrados. Uma areia brotava do chão, afogando as pernas do estranho. Aos poucos, seu corpo era submerso por ela. Era uma ilusão, uma ilusão que afundava seu corpo com toda minha força e ainda sim, não parecia o suficiente… Não era o suficiente.
Uma aura azul densa se formava ao redor de seu semblante, um fluxo latente e súbito de Chakra. O bastante para fazer essa pequena ilusão cair como muitos pedaços de um vidro picado. Antes que eu pudesse dar conta de mim, seu punho fechado encontrava a boca de meu estômago. Litros de sangue jorravam de meus lábios, o gosto de ferro os impregnava.
- Só um pequeno soco e pronto? Espero que eu não tenha estragado seus órgãos no processo. Odeio tempo perdido.
Ele sussurrava nos portais de meus ouvidos enquanto meu corpo, já mole, caia. Pude ver, de relance, que a parte que foi acertado em cheio pela Kurai explosiva - tirando o rasgo de seu traje negro - se encontrava feito novo. Era humanamente impossível e, ainda sim, eu não tinha muito tempo para pensar nisso: a escuridão, o pesar do sono, me convocará uma vez mais.          
Detalhes:

O estranho invasor é uma arma cientifica viva, por isso mostra traços de força e durabilidade sobre humanos além de capacidade de absorção de Chakra. Achei que, pelo contexto do RPG, eles estariam mais comuns agora e busquei mostrar isso colocando um como a ameaça do Filler.
- A cena inicial é de Maquiavel controlando seu Chakra para andar e subir em uma montanha. A coloquei para ilustrar que, desde cedo, ele foi vitima de um treinamento intenso. Bem como, no final, serve um pouco para mostrar o lado mais "ameno" de King

Técnicas Usadas por Maquiavel:

Um

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Avaliação

Gostei bastante deste filler (Como anteriormente)! Não tenho muito a falar, parabéns! Classificado como B

Recompensa 65 XP, 1.000$ e 4 Pontos de jutsua

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