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[FS2] Maquiavel - União entre Pai e Filho: Lâminas de Apenas um Destino I

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Um

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Staff
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Nome: União entre Pai e Filho: Lâminas de Apenas um Destino (Parte Um)
Local: Kiri - 6 Anos no passado aproximadamente
Detalhes: Cronologicamente após o primeiro encontro de Maquiavel e Asami. Terá foco na relação de Maquiavel e seu pai embora, em última instância, a jovem sacerdotisa fará uma participação especial.

Ilusionista

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Narradores
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União entre Pai e Filho: Lâminas de Apenas um Destino (Parte Um)

Asami POV
Casa do Clã Yamato

Eu estava em meu quarto, o meu real quarto. Não aquele hotel cinco estrelas que me arranjam nas viagens. O sol dessa vila, mais um lugar onde sou a invasora, parece gostar de me trazer ao mundo frio. Ele batia em meu rosto pálido, capturando minha atenção de um jeito que muitos meninos matariam para. Apenas viro-me para o lado, sem nenhuma palavra ter audácia de escapar de meus lábios. O silêncio, além de um monte de livros, acabam sendo meus únicos amigos desde que ele se foi.
As câmeras, o dinheiro e pedras brilhantes, elas iludem você. Fazem-o de bobo e, ainda sim, carva a lâmina em suas costas na primeira chance. Fecho os olhos, só querendo um pouco de paz do teatro que minha vida se tornou. Minha infância, embora abundante e digna de uma princesa, tinha seu preço no contra cheque: todos os vestidos que você desejar em troca da única coisa que nunca poderá voltar, sua inocência.  
Talvez eu pudesse ir para outro mundo, um em que meu pai ainda pudesse colocar seus dedos com esmero, com um carinho incapaz de ser achado em outros braços, diante de minha face incerta: embriagada de um receio que não pode ser nomeado. Como uma criança, uma criança que nunca teve vez, estou querendo abraçar sonhos que jamais terão olhos para mim. Doces sonhos.
O escuro pode assustar as pessoas, elas tem medo do que nele rasteja. Porém, o destino gosta de ser irônico comigo, é nele que - por vezes - corro e mergulho querendo um refúgio. Perante o nada, quem sabe, os fantasmas não me confundam com um deles: deixam-me me a mercê da paz por, aos menos, uma tarde. É tudo que, mesmo em lábios selados, desejo.
Sinto meus braços, mesmo adorados por muitos flashes, afogados em uma solidão que se recusa a ter uma vida por além de simples palavras. Eu abraço meu peito com força, faço isso quando estou longe dos sorrisos falsos: do eco de uma vida fugaz. Abraço-me com esmero, deixando minha delicadeza de lado: como um mero deleite para as câmeras. Dedos quentes sob o peito, subindo para minha garganta como alguém que não quer nada.
Sei que isso é mentira, todos anseiam por algo nesse mundo ou alguém. Meus dedos eram cheios de vida, minha carne era um punhado de dólares cobiçado por muitos olhos. Alguns me querem para acabar com sua própria solidão outros, porém, são mais honestos: querem-me como o brinquedo deles, a boneca propaganda perfeita deles.
Havia uma pequena lagrima, uma pequena hesitação. Meus dedos pálidos seguravam algo, tamanha era força que minha mão em vermelho se tornava. Eu sou tão fraca, diante do meu único ato de livre arbítrio e o batizo com uma única gota calada minha. Uma gota toca o meu rosto como muitos desejam e, ainda sim, nunca poderão. Era intimo, de uma sinceridade perdida.
Batidas na porta existiam, eram nervosas e violentas. Queriam me fazer parar, queriam escravizar a única parte da minha alma que não estão envoltas a correntes. O silêncio, meu velho amigo, estava no chão sendo chutando enquanto, palavras que oscilam entre desespero e frieza, ganhavam vida por trás da porta: por além de meu pequeno castelo.
- Filha, sem isso... Sem esse acordo, nunca vamos está seguras deles. - Posso ouvi-lá soluçar e, seu semblante austero, vacilar. Aquilo fazia meu coração em pedaços, em cacos teimosos demais para voltar para trás. - o Demônio vai retornar, seus asseclas não iram desistir... Já perdi seu pai, me recuso a perder a única coisa que sobrou dele.
- Coisa?! Eu sou uma pessoa e só quero viver. Todos os meus sonhos, tudo que eu queria, não importa não é? Pelo menos fale a verdade, não se esconda atrás de monstros! - meus dedos se apertam ainda mais, sufocam aquilo que repousa em sua guarda. A raiva estava possuindo minhas palavras, fazendo minha garganta mergulhar no inferno e arder em sua brasa.
- Você ainda é jovem, nem sabe o que é o mundo real. A sacerdotisa vive no salto alto... Miséria? Dor? são meras palavras para crianças mimadas como você. - Ela mudou, posso sentir, voltou ser a mãe de sempre. Suas palavras eram cozidas em frieza, em uma crueza digna dos demônios que ela tanto fala. Por baixo dessa porta, aposta que seu olhar está bravo. - Mesmo depois de fugimos da nossa terra natal, você continua tendo tudo. Eu lhe dou trabalho, eu lhe dou um futuro... Nem todos nasceram num berço de ouro Asami: nem todos podem ser especiais. Esqueça dele, eles não podem te proteger, eles não podem te levar para casa... O acordo pode.
- Eu não quero isso, eu não pedi por isso. Tenho uma vida aqui: amigos, um alguém... Não vou trocar isso pelo pedido de um clã velho. Tudo que vivo, tirando meus laços, é um teatro. Bem, cansei de ser apenas um papel nessa peça.
O que estava em minha mão, uma faca pequena, aperta minha garganta e, aos poucos, a cor vermelha toma conta de sua lâmina.
...
Maquiavel POV
Kiri

Parecia uma eternidade que eu não usava minhas pernas. Elas doíam como o inferno sempre que eu passo eu tinha que dar. Eu respirava fundo, sabia que o sofrimento é opcional. Meu foco estava no agora, na sala que já tinha visto meu sangue antes. As luzes, diferente de seu costume, estava acesa. Para meu azar silencioso, havia um novo turista a lidar em minhas terras.
Não, não era Asami. Era um adulto, com uma barba castanha mal feita. Seus olhos, tais como os meus, dispensavam emoções. Eram frios, suas mãos limpas não estavam. Éramos dois matadores na mesma sala... Perdoe pai, esqueci de o incluir na contagem. Você era nosso juiz, o carrasco que agia através de mim.  
Não desejo saber seu nome, tornará meu dever mais pesado de ser feito. Apenas o via tomar distância de mim, um arqueiro com três flechas em sua aljava, com três chances de me mandar para o outro mundo. Enquanto ajeitava o arco, coloquei uma venda vermelha em meus olhos. Apenas acatei ordens, apenas deixei a escuridão tomar conta. Sua voz pai, sua voz era a única coisa que arranhava sua casca.
- Um de vocês sairá morto daqui, o outro levará glória ao seu nome. Comecem!
Ele exclamava antes de se tornar mudo nesse cenário. Ainda podia ouvir seu coração embora, os dois corações que me observavam. Nenhum deles agitado, aquilo já era um ritual sagrado. Um treinamento, se preferir um nome mais leve. Toda criança tem que derramar sangue para se graduar aqui, comigo não serei diferente.
Ouço a primeira flecha cortar o ar, sua munição está se esgotando a cada segundo que deixamos passar. Sua respiração fora perfeita ao soltar, era um mestre em sua arte e, talvez, em outra vida, poderíamos ter uma conversa. Mas, nessa vida, só me resta mover meu corpo para direita e me esquivar.
Depois de tudo, depois dos corvos tentarem me matar, isso parece brincadeira de criança. Estou perto da parede, escuto a flecha entrar um pouco em seu metal. Eu teria um ou dois segundos de vantagem, um ou dois segundos para sujar minha lâmina com seu sangue. Porém, agora não era a hora. Apenas retirei, com cuidado, a flecha da parede e a segurei com firmeza.
Era a segunda chance dele. Um projétil ia contra mim, eu podia ouvir seu coração vacilar dessa vez. A ansiedade tomou conta de seu ser e o erro, como uma ardilosa serpente, aproveitou essa brecha. O que aconteceu em seguida fora fugaz, lancei sua própria flecha contra ele, as duas se chocaram e as duas, no centro de tudo, caíram.
Era esse o momento. Entretanto, meu corpo não ajudará. Era como uma máquina que precisava urgentemente de ajustes. Disparei-me em sua direção e saquei minha espada em um ato veloz. Podia ouvir sua respiração em dúvida, seus passos querendo ir mais para trás. Mas, tarde demais. Um corte e seu arco de madeira se desfaz em depois e, em um instante, minha lâmina está perante sua garganta.
- Mate-o, Jaavas. Dê a ele a honra de uma boa morte.
Ás vezes eu pensava que meu pai era um samurai disfarçado. Havia dúvida em mim, imagens de uma explosão que fugia de minha memória. A máscara de um corvo me assombra e me fez hesitar. Recebi um chute antes que pudesse retornar a realidade, me encontrando com o chão frio que me apara. A flecha final na aljava do arqueiro era sacada e com suas próprias mãos teria minha garganta como alvo se uma espada, uma Katana, não tivesse o atravessado pelas costas.
- Você não recebeu nem uma boa morte nem a glória. Mas, apesar de tudo, carrega meu nome.
Tirei a venda de meus olhos, tempo o suficiente para assistir ir embora.
...
A cor de meu clã é branco, queremos dizer que somos os mais puros de todos. Francamente, desde cedo, soube que isso era mentira. Deveríamos usar uma cor vermelha com orgulho pois, é ela que representa o tanto de  sangue que derramamos para chegar aqui na alta sociedade. Ainda estamos reconquistando influência, mas, os mais velhos ainda recordam de nosso nome.
Jaavas. Esse era um dia triste para qualquer um que carregue esse nome. Por isso, exclusivamente hoje, os tons de minha roupa mudaram. Eram escuros, indicava um luto que jamais iria sarar. Eu observava nosso retrato, antes disso se tornar nossa realidade. O sangue ainda era derramado sim, não éramos santos. Porém, até esse instante, algo além de crueldade e ganância nos unia.
O retrato estava perante mim, parecia algo de outro mundo. Meu pai estava sorridente, vestindo nosso tradicional traje branco com pingos de azul. Medalhas numerosas ocupavam o espaço de seu manto, todas polidas com esmero. Antes de minha existência, elas eram como sua prole, seu bebê. Um herói de guerra ele era, com o orgulho de seus atos estampado nas vestes.
Minha mãe se chamava Mai, era um nome ordinário para alguém que veio de uma família nobre. Pouco lembro sobre ela fora o fato de ser uma ninja talentosa e uma ótima mãe. Era tão letal com os outros quanto era boa comigo. No retrato ela também sorria ao lado de meu pai. Porquanto, de uma maneira mais tímida. Reservada.
Sobrava-me eu no centro, querendo desesperadamente imitar meu pai. Até minhas pequenas vestes eram clones, imitações baratas, das dele. Eu tinha meros quatro anos e, no auge de minha estupidez, ele era meu herói. Uma lágrima acanhada descia de meu rosto antes que o aroma forte de cigarro pudesse arruinar o momento. Ele prometeu parar com esse vício, e, por seis anos, conseguiu. Menos hoje, hoje não contava… Nunca contava.
- Chegou o momento de prestarmos as horas, não se atrase; filho.
Esse era o único dia que ele se permitia me chamar de filho, esse era o único dia que eu era permitido o chamar de King Jaavas.    
...
Era um dia nublado, nossos cabelos se molhavam. Meu pai, fumante como era hoje, praguejava sobre como a natureza conspirava contra ele. Estamos no cemitério, desde que o regime sangrento voltou a vila, não se tem muito espaço para enterrar as pessoas. A maioria, na melhor das hipóteses, eram queimados. Isso quando não eram simplesmente descartados.
Ter um túmulo se tornou símbolo de riqueza. Apenas os melhores poderiam pagar para ter. Flores deixadas por entes queridos, eram muchas na chuva. Triste como a maioria só dar valor ao que tem, ao que pulsa com vida, quando perde. O Akagan, ao longo dos anos, abriu meus olhos quanto a isso. Mostrou-me como tudo está conectado.
Mesmo sendo um longo caminho, pai e filho não se falavam. Não havia nada a ser dito que nossos atos já não descem conta. Nossos passos eram lentos, esse momento não tinha pressa para ser feito. Ainda que na paz, em nossas costas, carregamos nossas lâminas. Uma mistura de tradição e cautela se misturavam no ar.
Porém, isso alterou-se. Nossas expressões deram adeus a neutralidade. Não para chorar sob uma lápide, não. A raiva nos consumia e as nossas lâminas, mesmo frias, sentiam, Havam meia dúzia de ladrões de túmulos perante aos nossos. A audácia, que beirava a insanidade, movia seus atos. O destino deles fora selado no momento que nossos olhos se encontravam.
O caixão já haveria de ter sido desenterrado, as pás já foram deixadas de lado. Eles estavam felizes, banhados em ouro e joias antigas que lá repousavam. Todos carregavam espadas enferrujadas, tiradas, provavelmente, de algum samurai ancião que rodava por essas bandas. Mal nos percebiam, como o resto de meu clã, a ganância os consumia.
King puxará concomitante sua Katana com minha Tanto, era uma união improvável. Nossas lâminas, pela primeira vez em muito tempo, tinham um mesmo destino.

Detalhes:

- Estou com um sério bloqueio criativo, desculpe se isso afetou alguma cena. A Participação de Asami não saiu como planejado mas, se puxar da memória esse Filler "pré Reset" poderá entender melhor a situação dela.
- A primeira parte, a de Asami, se passa em sua casa na época do Filler.

Um

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Staff
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Avaliação

Como sempre fez um ótimo texto, porém a parte de Asami ficou desconexa com a de Maquiavel, não havendo se quer uma interação ou mesmo conexão narrativa entre os dois. Claro, como introdução para as histórias de ambos foi boa, mas em outros quesitos ficou estranho ambos estarem juntos neste mesmo filler. Além destas questões podemos dizer que o grau de perigo enfrentado pelos personagens é bem diferente, caso fosse um filler solo de Maquiavel provavelmente teria uma classificação B, se fosse solo de Asami seria D. Mas como ambos estão juntos, classificarei "tirando a média", ou seja C

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